terça-feira, 29 de setembro de 2009

Imagens

Não preciso sempre das palavras para externar o que tenho aqui dentro. Às vezes elas teimam em me abandonar, como agora. Mas existem muitas outras infinitas possibilidades que podem ser empregadas como forma de expressão. Então decidi usar aquela que mais me sensibiliza, aquela que mais amo: a pintura.

Deixo que cada imagem fale por si...

Menina Loira - Andressa B./2002


Floresta de Luz - Andressa B./2002





O Bosque - Andressa B./2002



Natureza Morta e Mangas - Andressa B./2007






Rosto de Mulher - Andressa B./2009

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Conflitos

Não diga como eu devo agir,
porque eu já cansei de obedecer.
E não se assuste quando não me encontrar ao seu lado.
Às vezes,
eu preciso do avesso
já que o direito cansa quando é muito usado.
Em algumas situações
obscureça as minhas vontades
com um pouco da sua loucura,
mesmo que por breves momentos...
Deixe eu fazer do meu jeito!
O meu "não", também pode ser um sim.
Dispenso a compreensão,
aceito o caos como parte da minha situação.
Devagar e feita de demoras...
O que me mostrou, eu já vi antes.
O que me deu, recebi outras vezes.
Na docilidade também reside a impetuosidade
e nos desconcertos,
fragmentos de personalidades descobertas.
Então aceite a minha condição
entendendo que o meu tudo
é uma parte do que eu posso dar
e que as adversidades que carrego
e os conflitos que trago,
são porções da pessoa que você conhece tão precariamente bem.
Sempre serei EU e todos os MEUS COMBATES...
escrito por Andressa B.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Bilhetinho



Eu recebi meu bilhetinho...
Estava dobrado em partes desiguais, cortado sem grandes cuidados e sem a ajuda de tesoura. Na frente (pelo menos me parecia ser a frente), uma ortografia desajeitada e vacilante unia letras ora miúdas, ora graúdas, que traziam uma mensagem carinhosa muito simples endereçada a mim e escrita com caneta cor-de-rosa e lápis "rombudo".
Mãozinhas de um "ser", transpuseram naquele pedaço de papel desejos sinceros de um coração que ama. E porque as palavras talvez não fossem suficientes (pelo menos não da maneira que acreditamos), desenharam de maneira tosca, símbolos repletos de significados.
Coloridas manchas pintadas com guache, na qual desvendei corretamente como balões, mas que a outros olhos (e isto aconteceu!) pareciam apenas as cores de um semáforo, inspiravam o prazer daquele dia.
Lembrando um pacote que merece toda atenção, meu pedacinho de carinho foi aberto em mais duas partes, revelando em cores vibrantes e carmins a presença de uma personagem feliz com sapatinhos vermelhos prontos a percorrerem novos caminhos.
Assinatura não foi preciso, pois a pequena artista tratou de deixar carimbada a sua canhota, personalizando com grande eficácia todo o seu trabalho. Ansiosa, aguardava. Impaciente, olhava para mim e para o papelzinho na expectativa da aprovação redentora daquele seu gesto.
Mais um entre tantos que já ganhei! Todos abarrotados de sapatinhos vermelhos e criaturas sorridentes. O dia não precisava de mais nada. Não naquela hora... Naquele instante...
E você, já recebeu seu bilhetinho hoje?
Escrito por Andressa B.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A Minha Belém



Minha cidade é morena da cor do jambo.
Repleta de cores, odores
muitos... muitos sabores!
Carrega na alma partes de um povo
repleto de histórias caboclas.
Águas pulsantes
embaladas ao som de batuques,
movem-se como as saias
que ondulam em graciosas curvas de chitas.
Calçadas de pedras gastas pelo vai e vem
narram até nós fatos passados,
porções de uma época
testemunhada por uma arquitetura combatente.
Aqui e acolá
músicas tão "de Belém", guardadas a "Chaves"
celebram dias
que parecem sempre pertencer
a tardes
tão quentes...
abafadas e úmidas.
Todo ano é outubro!!!
E seja qual for o mês: novembro, dezembro
ou outro qualquer
sempre haverá
as chuvas que são de março
e de todos os nossos dias.
Porque aqui, sombrinha é acessório,
mas também é flor
regada quase sempre lá pelas três.



Escrito por Andressa B.

domingo, 24 de maio de 2009

"Estando"



Gosto de gente, de contato... olhos nos olhos!
Relações tecidas de histórias. Estar com quem se tem vontade e manter vínculos com amigos queridos. Nada contra a internet e todo imediatismo digital, tão pouco contra os sites de relacionamentos (apesar de não ser fã deles). Mas o que aconteceu com as amizades de infância ou com os amigos que estão junto de nós porque ao longo de uma convivência criaram raízes conosco?

Não coleciono números, sou avessa a eles. Coleciono possibilidades... sentimentos... beleza...
Deixo de lado um milhão de carinhas bonitas e sorridentes, que apenas cruzaram (talvez não) o caminho. Agrego alguns, escolhidos não a dedo, mas pelo coração. Podem parecer poucos quando comparados a tanta gente que só sabe dizer "oi" e mais nada... Mais um entre milhões! Mas só parecem... Grandes são os momentos e a delicadeza verdadeira dos sentimentos.

Quero carne e osso! Para "ir ao mundo" sem hora pra voltar ou em uma tarde qualquer, sem nada de especial em um fim de semana, assumir um personagem. Quero o calor do sorriso amigo seja para estudar, tomar sorvete, conversar e mais nada.

Gente que se toca e se abraça, que pode também mandar recados, torpedos, scraps, telefonemas e tudo mais. Mas que não esquece que bom é estar junto, podendo até ser de longe, mas sempre "estando"...



Andressa B.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ata-me!


Beija-me com sofreguidão...
e de maneira tão intensa,
que sejas capaz de me levar à exautão.
Abraça-me de forma protetora,
acolhedora.
Mas que seja um abraço longo e duradouro.
Comprime meu corpo contra o teu.
Ata-me em ti,
de tal maneira que eu possa escutar
as batidas que vêm do teu peito.
E que o mundo se acabe!
Não importando quando, nem como.
Que o tempo pare,
ou pelo menos transcorra lento,
prolongando assim
os momentos e sensações que podem existir.
Simplesmente,
porque dois corpos estão juntos...
Escrito por Andressa B.

terça-feira, 24 de março de 2009

Etapas do Cinza


Rabisco no papel o fragmento de uma idéia que ainda está por amadurecer durante todo o processo da criação. Deslizo pela superfície meio rugosa as inseguranças das formas inacabadas e distribuo os "pesos", até achar na composição, o equilíbrio que às vezes falta em mim.

Não quero cores! Quero a escala rica dos cinzas. Os cinzas também são coloridos, apresentam as sutilezas e contrastes de uma beleza singular e crua. Do carvão, extraio o diamante. Com pequenas barras construo uma trajetória, onde o rastro do pó não oferece obstáculos, mas agrega ao trabalho a riqueza das nuances.

O caos metamorfosea e aos poucos, ganha forma. Espaços em branco iluminam o emaranhado de tramas, tornando mais leve e palpável aquilo que ainda não existe por completo, mas sempre esteve lá. Procuro não compreender o que acontece, apenas me entrego aos devaneios.

Eu busco o belo... sem deixar que isso atrapalhe a minha percepção dos acontecimentos. Quero hoje o que salta a visão e aguça os sentidos. Construo retirando aquilo que sobra, marco áreas realçando outras. Opondo, componho contrários que se completam e por se completarem, me dizem quando parar.

Só então, depois de contemplar, analisar e submeter à autocrítica, decido apropriar-me do resultado verdadeiramente. Em um canto, de maneira discreta e sem tornar elemento, coloco o nome e assino minha verdadeira condição: criatura, criadora... artista!



Escrito por Andressa Bardier