terça-feira, 24 de março de 2009

Etapas do Cinza


Rabisco no papel o fragmento de uma idéia que ainda está por amadurecer durante todo o processo da criação. Deslizo pela superfície meio rugosa as inseguranças das formas inacabadas e distribuo os "pesos", até achar na composição, o equilíbrio que às vezes falta em mim.

Não quero cores! Quero a escala rica dos cinzas. Os cinzas também são coloridos, apresentam as sutilezas e contrastes de uma beleza singular e crua. Do carvão, extraio o diamante. Com pequenas barras construo uma trajetória, onde o rastro do pó não oferece obstáculos, mas agrega ao trabalho a riqueza das nuances.

O caos metamorfosea e aos poucos, ganha forma. Espaços em branco iluminam o emaranhado de tramas, tornando mais leve e palpável aquilo que ainda não existe por completo, mas sempre esteve lá. Procuro não compreender o que acontece, apenas me entrego aos devaneios.

Eu busco o belo... sem deixar que isso atrapalhe a minha percepção dos acontecimentos. Quero hoje o que salta a visão e aguça os sentidos. Construo retirando aquilo que sobra, marco áreas realçando outras. Opondo, componho contrários que se completam e por se completarem, me dizem quando parar.

Só então, depois de contemplar, analisar e submeter à autocrítica, decido apropriar-me do resultado verdadeiramente. Em um canto, de maneira discreta e sem tornar elemento, coloco o nome e assino minha verdadeira condição: criatura, criadora... artista!



Escrito por Andressa Bardier

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Birra


E se eu quiser hoje?
Ficarei como criança sem doce?
Cara marejada cheia de vontade.
Nenhuma paciência no rosto tirano.
Mas de tiranos o mundo está repleto.
Aliás, também de crianças birrentas
porque lá no fundo...
Todos somos assim!
Muita vontade, pouca disciplina.
Muito imediatismo, pouca tolerância.
Muita superficialidade, pouco conteúdo.
Muitas e muitas coisas...
Mas também, muitas poucas coisas.
O meu agora demora a chegar.
E se eu disser e daí?
O que vão me responder?
Cara de pouco caso,
expressão de que pouco importa.
Os gestos controlados,
forçosamente tolhidos.
Consegue quem demonstra controle.
Mas controle de quem? Ou do quê?
E o que se consegue, nem sempre satisfaz.
Eu tenho... mas não preciso.
Recebi... poderia ser mais.
Amei... o suficiente?
Ainda quero!
"E se eu quiser hoje?"
Começa tudo de novo
e de novo...
(...)
Escrito por Andressa B.

sábado, 24 de janeiro de 2009

A Felicidade e seus significados...

A felicidade vem do nada, de maneira muito rápida, sem se fazer anunciar. Viaja no galope dos segundos, no improviso das horas. Supre todos os espaços, preenchendo o que antes estava vazio... Felicidade não pode ser aprisionada. Não suporta os grilhões que tentamos a todo custo colocar. Prazer maior é poder vivenciá-la e admirá-la, prolongando assim os efeitos que ela nos causa.
Felicidade é a chuva que cai no fim da tarde. É o passeio sem roteiro, livre do compromisso de chegar a algum lugar. Felicidade não tem nome. É o abraço da mãe nas horas em que tudo o que queremos é voltar à infância. É o olhar do amigo nos momentos de solidão e o abraço do mesmo quando não esperamos. É poder pintar e se sujar, colorindo aqui e acolá um tema qualquer. Felicidade é o poema que se perdeu na fala... ficou no silêncio, porque o que deveria ser dito, ficou perdido na emoção.
Eu sigo meu caminho atrás daquilo que não vejo, mas posso sentir. Acredito no mundo sem porteiras, onde somos livres para sonhar o que queremos e experimentar todos os amores que deixamos de vivenciar pelos mais diversos motivos. Eu vivo assim... no instante de cada dia, com o prazer de algumas companhias ou feliz por inteiro comigo mesma.
Eu quero caminhar ao lado de quem me copreenda, quero contar histórias engraçadas. Rir do nada, sentir o vento e chorar de alegria. Quero chocolate em uma tarde fria, a conversa prolongada pelo prazer da companhia e o boa noite depois de mais um dia.
E quando a felicidade vier me visitar, quero acolhê-la em sua chegada com enorme satisfação, sabendo que o melhor é se deixar contagiar, é não dispersar as forças, vivendo a minha parte da vida sem reservas com um sorriso no rosto e firmeza nas decisões.
Escrito por Andressa B.