Rabisco no papel o fragmento de uma idéia que ainda está por amadurecer durante todo o processo da criação. Deslizo pela superfície meio rugosa as inseguranças das formas inacabadas e distribuo os "pesos", até achar na composição, o equilíbrio que às vezes falta em mim.
Não quero cores! Quero a escala rica dos cinzas. Os cinzas também são coloridos, apresentam as sutilezas e contrastes de uma beleza singular e crua. Do carvão, extraio o diamante. Com pequenas barras construo uma trajetória, onde o rastro do pó não oferece obstáculos, mas agrega ao trabalho a riqueza das nuances.
O caos metamorfosea e aos poucos, ganha forma. Espaços em branco iluminam o emaranhado de tramas, tornando mais leve e palpável aquilo que ainda não existe por completo, mas sempre esteve lá. Procuro não compreender o que acontece, apenas me entrego aos devaneios.
Eu busco o belo... sem deixar que isso atrapalhe a minha percepção dos acontecimentos. Quero hoje o que salta a visão e aguça os sentidos. Construo retirando aquilo que sobra, marco áreas realçando outras. Opondo, componho contrários que se completam e por se completarem, me dizem quando parar.
Só então, depois de contemplar, analisar e submeter à autocrítica, decido apropriar-me do resultado verdadeiramente. Em um canto, de maneira discreta e sem tornar elemento, coloco o nome e assino minha verdadeira condição: criatura, criadora... artista!
Escrito por Andressa Bardier


A felicidade vem do nada, de maneira muito rápida, sem se fazer anunciar. Viaja no galope dos segundos, no improviso das horas. Supre todos os espaços, preenchendo o que antes estava vazio... Felicidade não pode ser aprisionada. Não suporta os grilhões que tentamos a todo custo colocar. Prazer maior é poder vivenciá-la e admirá-la, prolongando assim os efeitos que ela nos causa.